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No tempo das “Magrelas”
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No tempo das “Magrelas”

PostDateIcon Seg, 25 de Abril de 2011 00:00 | PostAuthorIcon Autor: José Luiz Capp | PDF Imprimir E-mail
Memórias da Cidade
Assim eram chamadas as cobiçadas e atraentes Rudge, Humber, Raleigh, Hércules, Philips e outras… Estes nomes significam algo para você? Em caso afirmativo não resta dúvida, você foi também um ciclista dos velhos tempos. Onde você adquiriu sua “magrela”?

Nas décadas de 40, 50,60 e pouco mais adiante as “magrelas” não eram chamadas pelo pomposo nome de “bikes”. Temos quase certeza: se você pedalava em Osasco um desses hoje raros exemplares, você certamente o adquiriu dos Irmãos Viviani – Nelo ou José, no Largo de Osasco, hoje Praça Antonio Menk. Se não, foi na bicicletaria do Joãozinho na Primitiva Vianco, próximo ao Floresta.

Acho que podemos afirmar, sem receio de errar, que Osasco já foi, se não o maior, um dos maiores pólos concentradores de bicicletas do Brasil – quiçá do planeta. Exagero? Considere os seguintes dados: área territorial de Osasco (67km2), famílias que chegavam a possuir de 4 a 5 “magrelas”, não existência de transporte coletivo urbano. Único meio de transporte individual para ir e vir do trabalho, às escolas e para os passeios domingueiros…

O número de “magrelas” era tão grande que as indústrias destinavam grandes áreas dos seus terrenos para abrigá-las em bicicleteiros cobertos, suspensas em ganchos com identificação numérica, verdadeiros “estacionamentos” elevados. Nos horários de saída das fábricas elas se concentravam como nuvens em busca do local de partida de uma disputa ciclística.

Os nomes das marcas que mencionei no inicio deste relato eram geralmente de procedência inglesa, pesavam de 19 a 21kg, de cor preta e traziam em letras douradas ao longo do cano superior do quadro a seguinte inscrição: “Made in England”. Incrível, ainda não fabricávamos em série bicicletas em nosso país… Tempos depois é que surgiram as primeiras Monarch e Caloi brasileiras!

Quando adquirí a minha Rudge do anteriormente mencionado Nelo Viviani, no Largo de Osasco, a emoção foi muito maior do que comprar carros novos ao longo de minha vida…

Ao adquirir uma bicicleta dos Irmãos Viviani você adquiria o direito de acompanhar a sua montagem. Depois de um ritual que durava de 40 a 50 minutos, a corrente de tração era engraxada, os pneus calibrados e depois de polida a “magrela” estava pronta para o “test drive” ciclístico.

No retorno, a transação comercial era concluída não antes porém de mais duas perguntas dos Viviani: você vai andar à noite, vai carregar algum volume? E aí vinham os opcionais – farol e bagageiro, se o “poder aquisitivo” do adquirinte assim permitisse.

O meu núcleo familiar possuia 5 “magrelas” – 3 masculinas e 2 femininas para trabalho e passeios nos fins de semana nas ruas de terra de Osasco. Às vezes em “aventuras” mais longas. E foi assim que logo após a inauguração da Via Anhanguera, quando praticamente não havia restrições à entrada de bicicletas, eu, meu irmão Magno e um amigo, o Moacyr Corrêa (o amigo Dr. Albertino sabe de quem falo), nos atrevemos a uma aventura de ida e volta a Campinas pedalando um total de 190km, fora os passeios naquela cidade!

Minha “magrela” proporcionou-me também muitas alegrias em competições esportivas em defesa das cores da então Associação Atlética Cobrasma chegando a ganhar uma medalha de prata em competição patrocinada pelo SESI em Santo André!

Velhos tempos, saudosas “magrelas”, hoje retornando altamente sofisticadas como “bikes, porém com muito menos espaço em nossa cidade para continuar provando o quanto ainda são úteis como meio de transporte e tão benéficas para a nossa saúde, sem nenhuma agressão ao meio ambiente…

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