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Chão de fábrica
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Chão de fábrica

Sex, 05 de Agosto de 2011 00:00 | PostAuthorIcon Autor: José Luiz Capp | PDF Imprimir E-mail
Memórias da Cidade
O rápido crescimento industrial do então subdistrito, depois município de Osasco atraiu, como ainda continua fazendo, grande número de empreendimentos e pessoas de outras cidades do estado, do país e também do exterior.

Vamos relembrar, nesta oportunidade, em rápidas pinceladas, uma cena hilariante que permanece gravada indelevelmente em nossa memória.

Logo após o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) da qual os nossos heróicos “pracinhas” participaram em memorável campanha na Itália, começaram a aportar em terras osasquenses um sem-número de estrangeiros em busca de oportunidade de emprego e progresso. E esta abençoada terra como sempre fez e continua fazendo recebe a todos de braços abertos…
Nessa época eu era um “garotão” com 15 anos de idade, vindo de Campinas acompanhando um grupo de tecnólogos ferroviários para trabalhar no maior complexo industrial de Osasco, a Cobrasma, então situada na Av. do Expedicionário, hoje Rua da Estação e segundo estou informado passará a ser Rua Prof. Dr. Luís Eulálio de Bueno Vidigal.
Esse grande complexo industrial que abrigou durante muitos anos a maior fundição de aço da América Latina, poderia, sem exagero, ser
chamado de a “Primeira Prefeitura” não oficial de Osasco pelas suas grandes realizações, por meio de seus órgãos, verdadeiros tentáculos nos campos social, esportivo e educativo do emergente município.

Nessa época, eu percorria todas as manhãs, pilotando a minha “bike”, como se diz hoje, as várias unidades, recolhendo dados sobre o resultado da produção, principalmente das turmas da noite, para alimentar os quadros de controle do então Departamento de Planejamento e Controle da fábrica.

Havia na então chamada Usina, considerável número de trabalhadores poloneses, russos, húngaros, italianos, espanhóis, irmãos nordestinos, paranaenses e de outros estados – verdadeiro cadinho humano e cada um com o seu jeito de falar e se comunicar…

Certa manhã, na minha missão sobre a “bike”, chamou minha atenção, no meio do caminho, um polonês de enorme estatura cercado de alguns colegas de trabalho brasileiros empunhando no ar uma marreta balbuciando como podia: “co…mo…cha…ma…este?”

A resposta de um gaiato veio mais depressa que um tiro: “chupeta”! “chuuupe..ta”? repete o polonês, acrescentando: “io prrecisa di uma chuupeta mais grrrandi prrra traba..ia”

Foi só gargalhada e gozação em cima do polonês e este vermelho como um pimentão deixa muito confuso o pequeno grupo dizendo: “io vai fa..la com cheefe”…

Saí pedalando minha “bike” a não mais poder de rir…

Quando será que esse pobre polonês, ou “bicho d’água”, como eram chamados nas oficinas os estrangeiros, veio a descobrir que jamais faria com uma chupeta o que se faz com uma marreta?

Chão de fábrica, quanta simplicidade, sabedoria e esperteza… As notícias de chão de fábrica, pela “rádio-pião”, eram sempre fidedignas e de primeira mão…

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